Atualidades

TRICÔ EM PROL DA SOLIDARIEDADE



Por Felipe Fontoura (texto/fotos)

É em clima de festa que elas se reúnem uma vez por semana. Chá, guloseimas e um bate-papo descontraído não podem faltar nos encontros das “Ararinhas tricoteiras”. Esse é o nome do grupo formado por mulheres que produz e doa enxovais para bebês de mães carentes no Hospital Municipal de Novo Hamburgo.
Uma das fundadoras do grupo, Dulce Souza, 61 anos, conta que em 2005 uma colega da hidroginástica ficou viúva e estava entrando em depressão. Para não deixar a companheira sozinha no momento de dor, ela e outra amiga começaram a visitar a viúva pelo menos uma vez por semana. Foram nesses encontros que elas descobriram que poderiam começar a fazer roupinhas de bebê em tricô. Elas então começaram a se encontrar uma vez por semana para montar enxovais para recém nascidos e doá-los. Inicialmente com apenas três integrantes, a iniciativa foi se espalhando e ganhando força. Hoje já são 15 tricoteiras solidárias. De acordo com Nair Ramos, 61 anos, os três anos que ela está no grupo lhe faz muito bem. Para ela, é uma terapia. Essa opinião é também partilhada por Dulce Souza: “O nosso trabalho é sim uma terapia, pois nos deixa tão bem, mais até de quem recebe o enxoval”.
As reuniões semanais são sempre descontraídas. Elas “tricotam com a boca”. O repertório é variado. Falam de assuntos da atualidade, receitas, tricô, contam piadas, enfim dão muitas risadas. Cleris Crippa, 55 anos, faz parte das “Ararinhas tricoteiras” há alguns meses. Para ela foi uma fuga a solidão: “Eu ficava muito sozinha em casa, pois todos da minha família trabalham e eu sou aposentada. Eu não sabia fazer tricô quando comecei aqui. Tudo que sei aprendi com elas”. Dulce Gehlen, 58 anos, por problemas de saúde teve que se afastar durante dois meses, mas revela que em pensamento sempre estava ali. Em cada semana o grupo se encontra em uma casa diferente. A anfitriã fica responsável de oferecer um chá com algumas guloseimas.  Sônia Tieze, 64 anos, aos risos diz que até engordou, pois nos encontros tem muitas coisas boas para comer.
Mas quem pensa que as “Ararinhas tricoteiras” vivem somente de casa em casa com agulha e lã na mão se engana. No mínimo duas viagens são organizadas por ano. Desde 2009 elas resolveram que em uma das excursões do ano os maridos poderiam ir junto. O destino é discutido durante os encontros. A Serra Gaúcha é um dos lugares preferidos. Além das viagens, passeios mais pertos são realizados durante o ano.
Os nomes dos pontos de tricô são os mais variados e até mesmo estranhos: pavão, pavãozinho, arroz duplo, ponto fantasia e por ai vai. De ponto em ponto o trabalho vai ganhando forma até ficar pronto. E o resultado é um enxoval bem completo.  São doadas meias, casaco, calça, luva, toca, algumas peças de malha, coeiro grande de pelúcia e um edredom. Quando não recebem doação de lãs, o dinheiro sai do bolso das próprias integrantes. Dedicação não falta: “É uma satisfação poder ajudar o próximo. Às terças nós temos que nos reunir para aprender, nos divertir e, sobretudo ajudar o próximo”, entende Zinara da Rosa, 58 anos.
No dia da doação, no máximo quatro integrantes vão até o hospital. Acompanhadas de uma assistente social, elas perguntam diretamente às mamães se gostariam de receber o presente. No momento da entrega, a emoção: “É gratificante ver a satisfação das mães ao receber o enxoval. Isso também faz bem para a nossa saúde e aumenta a autoestima da gente”, ressalta Nazi Andara, 67 anos. Eva Marques, 63 anos, se sente feliz em poder ser solidária e fazer o próximo feliz.
 Em 2010 as “Ararinhas tricoteiras” inovaram. Além de fazer enxoval de bebê, elas confeccionaram algumas peças para doar em um lar de idosos. E o desejo de fazer o próximo feliz não para por ai. Elas têm conseguido doação de roupas, calçados e brinquedos para entregar em creches.



JOVEM CEGO DÁ EXEMPLO DE SUPERAÇÃO


Por Felipe Fontoura (texto/foto)

Há 22 anos nascia o segundo filho do casal Mara e André da Silva. Prematuro, de uma gravidez de apenas seis meses, o recém nascido perdeu a visão, na incubadora do hospital após ter recebido uma dose de oxigênio que penetrou na corrente sanguínea e danificou a parte posterior dos olhos. O que poderia ser mais uma história de um deficiente visual se transformou em um enredo de muita superação e conquistas. André Vicente da Silva completou em março de 2010 o seu primeiro ano de licenciatura em música com ênfase em piano na UFRGS.
Um gremista que está sempre com um largo sorriso no rosto, André Vicente reside na pequena Nova Santa Rita, a 21 quilômetros de Porto Alegre. André lembra com carinho dos primeiros nove anos de vida, tempo que ele morou em Novo Hamburgo. Esse período da sua vida ele considera o mais inclusivo: “No colégio, me integrava mais rápido com os que não eram cegos, pois eles me ajudavam muito e eu acabava conversando com todo mundo”. Daquela época, André ainda recorda que gostava de andar de bicicleta com os amigos, pois como a rua não era tão movimentada, ele pedalava seguindo os demais apenas com o som.
Aos nove anos, André se mudou com a família para Porto Alegre para ter aula no Instituto Santa Luzia. E foi lá, na aula de teclado, que ele decidiu usar profissionalmente a música. A partir desta decisão, o sonho de ser professor começou a ser alimentado pelo jovem.  Dos 11 aos 16 anos, André tocava música apenas de ouvido. Então, pediu ao seu professor, que também é cego, para o ensinar a ler partituras. Como partituras em braile são bastante raras, o jovem precisa que alguém dite as notas para ele transcrever a mão e em braile.
O primeiro vestibular na UFRGS feito por André Vicente foi em 2008 para bacharelado em música com ênfase em composição. Ele passou na prova específica, mas não conseguiu o mesmo êxito nas provas disciplinares. No outro ano a preparação foi diferente, pois ele queria passar em licenciatura em música com ênfase em piano. Para atingir o objetivo foi montada uma verdadeira força-tarefa. A família achou uma professora de música aposentada em Canoas, que solidária, voluntariamente ditou as músicas para ele transcrever para o braile e decorar. Já nas matérias escolares, ele contava com a ajuda da família, que fazia a leitura dos livros preparatórios para o vestibular. Alguns livros em braile e um computador com um programa que lê o que está escrito na tela também contribuíram na sua preparação. A mãe, Mara da Silva, fala das dificuldades que o filho enfrentou: “O vestibular da UFRGS para o André, foi muito difícil. A UFRGS não tem prova adaptada a deficientes. Então, fica mais complicado, pois a prova é muito cansativa. Os vestibulandos com necessidades têm direto a ficar até as duas horas da tarde, uma hora a mais que os demais. Como a gente morava em Canoas, tínhamos que sair de casa às 6 horas da manhã. O André tomava café da manhã e, depois só voltava a comer às três horas da tarde. Era uma rotina desgastante”, desabafa Mara.
Tanto esforço foi recompensado, após prestar vestibular em 2009, André foi aprovado. “Quando saiu o listão, eu estava no trabalho. Uma colega minha que me contou. Quando eu cheguei em casa a minha família me aprontou um trote antecipado [risos].  Ter passado na UFRGS foi algo que jamais vou esquecer. Ficou marcado. Passei sem cota e sem ter prova adaptada.”

A conquista do sonho

Logo após o ingresso na UFRGS, foi convidado para ser monitor de aula de música em uma escola em Novo Hamburgo. Hoje André já tem os seus próprios alunos. O aprendiz de professor comenta seus métodos para ensinar: “Eu preciso colocar a minha mão na mão do aluno para sentir o que está sendo feito. Mas isso depende do que eu estou ensinando, normalmente faço isso quando eu quero trabalhar técnica de piano como movimento de pulso, de dedos e dedilhados”.
O jovem cego, que através de muita garra e força de vontade vem conquistando seus sonhos, dá uma dica para quem quer se transformar em um vencedor: “Se a pessoa gosta de uma coisa tem que lutar para conseguir fazer ou não se sentira completo, independente das dificuldades. Eu poderia ter desistido dos meus sonhos depois que passei em um concurso público, mas fiz o contrário e hoje estou colhendo os frutos da minha escolha.”
André também é funcionário público concursado. Ele trabalha na secretaria da Educação do município de Canoas como assistente administrativo desde 2008. Ele ainda toca acordeom desde os 18 anos em um grupo nativista que se apresenta em bailes.




FUTEBOL AMERICANO QUE NADA, O NOME É RUGBY



Por Felipe Fontoura (texto/fotos)


O Comitê Olímpico Internacional já confirmou o retorno do rugby aos Jogos Olímpicos. E a reestreia será no Rio 2016, justamente em solo brasileiro, onde o jogo não é popular. Para quem está acostumado a ver um jogo de rugby tradicional com 15 jogadores pode se surpreender, pois na olimpíada será disputado o rugby de 7 jogadores.
A modalidade rugby apareceu pela última vez em uma olimpíada em 1924. E não é que tem até um vídeo no youtube da emocionante final  entre EUA e França? Confira a decisão de rugby na Olimpíada de 1924 (clique aqui)


Um esporte não muito conhecido pela população brasileira, o rugby é confundido com futebol americano.O que muita gente não sabe é que o rugby que inspirou o famoso futebol americano. Tal confusão e falta de entendimento das pessoas sobre esse esporte se deve a pouca exposição na mídia. Na Argentina, Uruguai e em alguns países da Europa, o rugby é considerado um sucesso. Aqui no Brasil o esporte ainda não despertou tanta atenção.

O rugby teria sido criado em 1823 na Inglaterra. Tudo graças a uma travessura do aluno Webb Ellis que durante uma partida de um jogo parecido com o futebol, pegou a bola com as mãos e saiu correndo com ela, sendo perseguido pelo resto dos jogadores. Essa atitude converteu no surgimento do rugby atual.


Bruno Cardoso, 21 anos, estudante de jornalismo da Unisinos é um dos destaques do time Charrua Rugby Clube. Considerado baixo perto de seus companheiros, Bruninho, de 1,67 de altura, se torna um gigante quando está em ação dentro das quatro linhas. A exemplo de seus colegas de time, ele incorpora o espírito histórico dos índios da tribo que dá nome ao clube. Os atletas do Charrua treinam três vezes por semana. Bruno conta que um amigo o incentivou a começar a treinar em 2004, mas como sentia certo receio em jogar no meio dos grandões. Em 2007 sentiu coragem e entrou para o Charrua. O que mais contribuiu para Bruno começar a treinar foi descobrir que cada posição exige uma característica física diferente. A posição que o pequeno craque joga é scrum half, que exige rapidez e agilidade do atleta.



TWITCAM: DE INOFENSIVO A BICHO PAPÃO

Por Felipe Fontoura

Estar em evidência é algo que meche com o ego de muitas pessoas. Sejam famosos que querem cada vez mais estar com a imagem exposta ou até mesmo anônimos que querem ter os “15 minutos de fama”. O que antes era uma jornada muito dura, hoje, com o avanço da tecnologia, as facilidades para se estar em evidência são inúmeras. Com o surgimento da Internet a possibilidade da comunicação à distância em tempo real virou realidade e rotina no dia-dia das pessoas.

Novos hábitos, novas representações de tempo e espaço, novas fórmulas de buscar o conhecimento e até mesmo um novo modo de se relacionar com as pessoas mudaram desde a chegada da Internet. Um exemplo disso são as principais redes sociais que cada vez mais ganham adeptos. Os usuários são atraídos pela facilidade de comunicação e integração. Na onda de crescimento das redes sociais, novos aplicativos são lançados em grande escala. Mas o recurso que recebeu grande destaque em 2010 na mídia e entre os internautas foi o Twitcam, que permite transmissão de vídeo ao vivo aos usuários do Twitter.

Exemplos do avanço tecnológico no passado e na atualidade às vezes se confundem. Lévy (1996) enaltece a magia do telefone, o que bem poderia ser empregado nos dias atuais para o webcam ressalta que estamos ao mesmo tempo aqui e lá graças às técnicas de comunicação e de telepresença. O telefone separa a voz do corpo tangível e a transmite à distância. Meu corpo tangível está aqui, meu corpo sonoro, desdobrado, está aqui e lá. Hoje em dia não só a nossa voz tem o poder de estar presente em todos os lugares, com o uso do webcam nossa voz e corpo são transmitidos em tempo real para qualquer lugar do mundo.

Meios que permitissem a interação entre pessoas através do webcam existe, como o MSN, Skype e outros, mas a partir do lançamento do Twitcam em 2009, é que um aplicativo feito para uma das redes sociais de maior audiência no mundo, o Twitter, é que de transmissão em massa de vídeo ao vivo pela Internet ganhou força. Uma das hipóteses para o sucesso do Twitcam é que o aplicativo é gratuito e de fácil manipulação. Através do site www.twitcam.com, basta ter uma webcam, fazer o login com usuário e senha do Twitter e clicar em “Broadcast Live”. Será gerado um link para que o usuário possa divulgar. Com poucos cliques até 100 mil pessoas poderão assistir a imagem em tempo real de alguém online.

O jornal Folha de São Paulo¹ divulgou em 18 de agosto 2010 que no mês anterior o Twitcam bateu um recorde ao atingir a marca dos 4,5 milhões de visitantes únicos. Desse montante 81% dos acessos foram feitos no Brasil. Atrás dos brasileiros estavam os chilenos, com 6% dos acessos, seguidos pelos mexicanos 3,3% e dos norte-americanos com 2%. Esses dados revelam que mesmo ainda não tendo a velocidade de conexão que países como os EUA atingem, o Brasil sempre está no topo de acessos de alguns sites, principalmente quando se trata de redes sociais. De acordo com dados divulgados em outubro de 2010 pela ComScore, especializada em estatísticas do mundo digital, o Orkut alcançou 36 milhões de visitantes únicos. O Facebook saiu de 1,5 milhão de visitantes únicos em 2009 para 9 milhões nessa última pesquisa. O Twitter vem logo atrás com 8,6 milhões de visitantes. Para Lévy (2003), o uso socialmente mais rico da informática comunicacional consiste, sem dúvida, em fornecer aos grupos humanos os meios de reunir suas forças mentais para constituir coletivos inteligentes e dar vida a uma democracia em tempo real.

Com a popularidade crescente do Twitcam, manchetes negativas de mau uso da ferramenta ganharam espaço na mídia. Casos de pornografia se tornaram frequentes. Um dos casos que ganhou mais destaque na imprensa foi quando dois menores de idade protagonizaram cenas de contato íntimo no Rio Grande do Sul na frente do webcam. Como um vírus, aos poucos o link com a transmissão dos adolescentes foi se espalhando pela rede na noite do dia 25 de julho desse ano. Aproximadamente 20 mil pessoas acompanharam o vídeo ao vivo, sem falar dos acessos mais tarde quando as imagens foram parar em outros sites. O caso chegou a ser investigado pela Delegacia de Repressão a Crimes Informáticos do Departamento Estadual de Investigações Criminais do Rio Grande do Sul. Outro caso polêmico que ganhou grande repercussão no país foi o bate boca de alguns jogadores do Santos com internautas. Os boleiros estavam online no Twitcam e no chat, quando um torcedor fez uma crítica ao goleiro do time, então os jogadores começaram a falar mal e ofender o internauta. Sobrou até para o então colega e estrela de time Robinho.

Já falamos do lado negativo no uso da Twitcam, mas existem também bons exemplos.  Para Lévy (2003) o papel fundamental da comunidade virtual, compreendida como “inteligência coletiva”, está na possibilidade de mobilizar as pessoas a atuarem como filtros inteligentes no movimento de estímulo à ampliação de conhecimentos e à capacidade para agir coletivamente. Essa ferramenta de transmissão de vídeo em tempo real é uma boa ótima oportunidade para a área educacional criar novos meios de aprendizagem para seus alunos. Na campanha eleitoral de 2010, políticos também fizeram o uso da ferramenta para conversar com internautas e pedir votos. Podemos até questionar se realmente essa iniciativa agrega novos votos, pois será quem para assistir uma transmissão de político na web realmente está indeciso referente ao voto? Enfim, existe uma gama de oportunidades e utilidades para o Twitcam que poderia ser empregado em praticamente todas as profissões.